terça-feira, 20 de novembro de 2018

Ana vai à guerra


“levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente”. (1 Sm 1:10)

Ainda que ele quisesse consolá-la com o seu amor, sem menosprezar o seu afeto, ela não se conformava com o seu ventre estéril. – Não te sou eu melhor do que dez filhos? – perguntou-lhe o marido, na tentativa de vê-la superar a frustração. Mas, renitente, chorava e não comia, estampando no rosto o seu inconformismo, buscando de alguma forma reverter a sua condição.

Diante do inaceitável, Ana levanta-se e vai à guerra. Uma guerra contra ao que se impôs como decreto: “Tu não serás mãe”. Porém, guerreira, não se limita a resignar-se frente ao destino. Não se esconde por detrás de uma declaração fácil e conformada – “O que eu posso fazer se a vida quis assim”. Não. Decidida e forte, vai atrás daquele que pode converter o impossível em possível.

Com amargura de alma, ora ao Senhor. Chora abundantemente na presença do Deus que se sensibiliza com o quebrantamento verdadeiro. Não pede explicações ao Todo-Poderoso, não o acusa de tê-la feito nascer estéril, não está ali para discutir, mas comparece ante Ele para ver a sua sorte transformada. Ultrapassando o limite das palavras, faz um voto. Promete que, se atendida fosse na sua súplica, daria o filho ao Senhor, a fim de que o servisse todos os dias.

Sua aflição é tanta que, por causa da sua expressão, o sacerdote Eli a teve por embriagada. Mas um equívoco como esse não é nada pra quem já se decidiu. Ela se explica. O sacerdote lhe abençoa. A madre se abre. Deus lhe concede um ventre fértil. Nasce Samuel, ela cumpre o voto, e o Senhor lhe agracia com mais cinco filhos – três meninos e duas meninas.

Combinação perfeita: gente que não desiste e um Deus Todo-Poderoso.


Laerte Cardoso

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