terça-feira, 20 de novembro de 2018

Decepção

Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam”. (Lc 24:21)

A distância a ser percorrida não era muito longa, aproximadamente 11 km, mas era feita a pé. Mais ou menos duas horas para percorrer aquele trajeto. Tempo suficiente para conversar e tentar entender o porquê de tudo aquilo.

Era domingo, e dois discípulos de Jesus saíram de Jerusalém em direção à Aldeia de Emaús. Na caminhada expunham um ao outro a decepção resultante dos fatos daquele final de semana. Não achavam explicação para a morte de Jesus, reconhecido por todos como profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e dos homens. Havia uma frustração que lhes partia o coração, porque esperavam que fosse Ele aquele que redimiria Israel. E assim seguiam pelo caminho, dominados pela tristeza e decepção.

Quantas apostas nós fazemos que não se concretizam. Quantas respostas aguardadas que nunca chegam. Quanta decepção quando não vemos o retorno das nossas esperanças. Podemos nos decepcionar seriamente quando esperamos em alguém que não responde à altura das nossas expectativas. Todavia, o Senhor a ninguém decepciona. Ele não gera esperanças que não se realizam. Como diz minha mãe, Ele não adoça a nossa boca e depois vai embora sem terminar o que começou.

Então a caminhada fúnebre é interrompida pela presença daquele que havia gerado esperanças que os dois discípulos – totalmente enganados – achavam que não se cumpririam. Sem reconhecer o Mestre ressurreto, ficam admirados quando Jesus pede que lhes contem o que lhes preocupava. Perplexos, perguntam ao Senhor se Ele era o único que estando em Jerusalém, não sabia o que havia acontecido na última sexta-feira. Depois de expor a dor da decepção, os dois ouvem a explicação acerca de tudo o que sucedera ao Filho de Deus. A Palavra é forte, queima o coração dos discípulos, e quando chegam à Aldeia de Emaús, sem saber que era o próprio Jesus que estava com eles, constrangem o Senhor a entrar. No momento em que estavam à mesa, Jesus tomou o pão e abençoou-o. E no partir do pão, os olhos dos discípulos foram abertos, e reconheceram Jesus.

Nada pode nos curar tão eficazmente quanto a comunhão com o Senhor. Não existem olhos que possam permanecer fechados pela decepção quando Ele parte e nos dá do seu pão. A vida pode ser dura, as pessoas podem nos decepcionar. Mas temos um Senhor que nos esclarece, que nos acompanha no caminho da dor e da decepção, e nos faz ver uma nova perspectiva que está além das nossas tristezas.

Laerte Cardoso

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