quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Encorajamento (1)


“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. (Hb 10:24)

Vivemos pressionados por uma estrutura competitiva que nos força a buscar aquilo que convencionou-se chamar de independência. O resultado tem sido um mundo cada vez mais individualista, dominado por esse espírito de competição e permeado pela desconfiança que afasta as pessoas umas das outras. Muitas vezes, sem percebermos, somos envolvidos por essa estrutura, que nos faz correr atrás de alguma coisa que nem mesmo sabemos o que é. E ficamos sem tempo de nos dedicarmos às tarefas que, verdadeiramente, são importantes.
Enquanto o mundo nos empurra para a tal “independência”, o evangelho apresenta uma proposta totalmente revolucionária: a dependência. Obviamente, estamos falando da dependência de Deus. Depender de sua graça. Gozar dos benefícios da cruz. Descansar em algo que já foi feito e está consumado.
Hebreus, no capítulo 10, do versículo 19 ao 23, nos encoraja a entrarmos no Santo dos Santos. Encontramos nestes versículos o estímulo para desfrutarmos da presença de Deus em uma relação vertical. Este trecho das Escrituras traz consigo a ideia da dependência de Deus e o quanto uma relação íntima, no Santo dos Santos, produzirá vida abundante em nós. O texto fala de um caminho novo e vivo. Fala de aproximação, de sinceridade, de fé, de coração purificado. Em síntese: de uma relação sincera com Deus com o objetivo de vivermos dentro do padrão celestial.
Todavia, a Bíblia nos mostra um outro tipo de dependência a ser observada. Após a apresentação desta relação totalmente vertical – eu e Deus – no versículo 24 o assunto muda. Neste versículo, e no 25 também, o escritor de Hebreus fala de um outro tipo de relação. Antes ele nos estimula a entrarmos no Santo dos Santos, agora, ele nos desafia a projetarmos a nossa fé na direção horizontal. Em um certo sentido, ele está querendo nos dizer que também dependemos uns dos outros para vivermos a vida de Deus.
O texto nos mostra o valor do encorajamento para cumprirmos a carreira cristã. O versículo nos diz para “considerarmos também”. Observe a palavra “também”. Ela aparece aqui com o sentido de inclusão. De uma outra forma ele está dizendo: relacionem-se com Deus, mas não se esqueçam de relacionarem-se uns com os outros também.
Podemos, sem dar conta disso, desenvolver uma espiritualidade individualista, que não percebe o outro. Para que isso não aconteça, devemos ter sempre em mente que o nosso relacionamento com Deus deve criar em nós interesse pelo nosso próximo. A fé na vertical (a relação com Deus) tem que ser materializada na horizontal (a relação com os irmãos). Considerar é levar em conta, é ver, é perceber, é não ser indiferente. Eu posso desenvolver um bom relacionamento com Deus. Contudo, se eu ignorar aqueles que estão por perto e viver como se eles não existissem, certamente, estarei falhando.
Existe uma preocupação, embutida neste texto, em mostrar o valor do encorajamento vindo de nossos irmãos. Há mais que uma simples sugestão neste versículo. Ele nos faz compreender que devemos nos interessar uns pelos outros com a intenção clara de “nos estimularmos ao amor e às boas obras”.
Ser encorajado e encorajar é o assunto que está sendo tratado aqui. A proposta é vivermos uma vida que requer companheirismo, discipulado, envolvimento, sinceridade, relacionamentos transparentes, enfim, tudo aquilo que possa estimular a vida de Jesus em nós. Esta porção das Escrituras afirma que, no Reino, é preciso perceber e ser percebido, considerar os outros e ser considerado também. O resultado dessa interação será as boas obras e o amor.



Laerte Cardoso

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