quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Encorajamento (3)


Certa vez, meu irmão caçula me disse que eu era especialista em jogar “baldes de água fria” em cima dos outros. Tentei argumentar, porém, ele acabou me convencendo que o meu comportamento acabava por desestimular aos que me procuravam.
Na maioria das vezes, nós não notamos que as nossas críticas ácidas tiram a coragem dos outros. Uma atitude de deboche pode fazer com que as pessoas recuem dos seus objetivos. Muitos desistem de perseguirem os seus alvos por encontrarem “caras-feias” pelo caminho ou por terem sido tratados com frieza. Não pode ser assim no Reino. Deus requisita de nós um comportamento que estimule aos outros produzindo edificação. Devemos aprender a estender a destra de comunhão àqueles que, verdadeiramente, estão trabalhando no Reino de Deus.
Um bom estado emocional sempre será necessário para cumprirmos a nossa missão. Deus sabe disso e, por isso, não faltam palavras de encorajamento nas Escrituras. Para que Josué conduzisse o povo de Israel à terra prometida, Deus fez promessas tremendas a ele. Por trás de cada palavra vemos a intenção clara de motivá-lo:
“Sê forte e corajoso, porque tu farás a este povo herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais...” “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares” (Js 1: 6 e 9)
O próprio Senhor Jesus foi motivado por Deus. Ao ser batizado, Ele ouviu uma declaração de amor de seu Pai:
“.... Este é o meu filho amado, em quem me comprazo. ” (Mt 3:17)
Deus declarou a Jesus que além de amá-lo, Ele, o Pai, tinha prazer nos feitos de seu filho. A vida de Jesus dava prazer ao Pai. Entenda que uma declaração desse tipo, consequentemente, produz coragem, ânimo, confiança, vontade de ir adiante. 
Olhando atentamente as duas epístolas de Paulo a Timóteo (1 Tm 1:18 e 2 Tm 1:3-8), percebemos que o apóstolo também as escreveu com o objetivo de motivar seu filho na fé. Ele procura lembrar a palavra profética liberada em favor de Timóteo e o incentiva a combater firmado nela. Ele fala das lágrimas de seu discípulo, cita o nome de sua avó e de sua mãe, o admoesta a reavivar o dom de Deus que estava em sua vida, pela imposição de suas mãos, lembrando que aquilo era coisa séria. Certamente, essas palavras de Paulo trouxeram ânimo para o jovem Timóteo.
Romanos 12:10 diz que devemos “preferirmo-nos em honra uns aos outros”. Preferir em honra é o mesmo que honrar. Honrar, dentre os seus muitos significados, é dar crédito. Muito interessante pensarmos no verbo honrar a partir desse significado. Paulo está querendo nos dizer que devemos dar crédito aos nossos irmãos. Por conseguinte, dar crédito a alguém é, também, incentivar esse alguém.
Infelizmente, hoje em dia muitos irmãos têm adotado um sentimento de indiferença com relação ao seu próximo. Essa atitude manifesta um descompromisso e desconsideração com o Corpo de Cristo. As pessoas vivem como se não tivessem nenhuma responsabilidade com o Corpo. Isso faz lembrar Caim que, ao ser perguntado por Deus sobre o paradeiro de seu irmão Abel, respondeu a Deus com uma outra pergunta: “...acaso sou eu tutor de meu irmão?”
Sem perceber, tem muita gente com esse sentimento e com essa resposta na ponta da língua: “o que é que eu tenho a ver com o fulano” ou “deixem eu viver a minha vida do jeito que eu quero, ela é minha e ninguém tem nada a ver com ela”.  



Laerte Cardoso

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