quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Fé e posição (2)


Hoje em dia é muito comum pessoas descobrirem Jesus em momento de extrema necessidade. Diante do impossível, conhecemos aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos; aquele que desconhece o impossível. Esse impacto com a bênção de Deus, com o milagre, com a graça divina, é, muitas vezes, o começo de tudo.
Esse foi o encontro que a mulher siro-fenícia teve com Jesus. A libertação de sua filha só foi possível porque o Senhor do impossível estava ali. Porém, precisamos entender que, não obstante ela ter crido, Jesus a chamou de cachorrinho, referindo-se à sua condição gentílica.
Essa colocação feita por Jesus – filhos e cachorrinhos – nos leva a compreender, no mínimo, dois pontos importantes da questão fé e posição.
Primeiro, a bênção é para os filhos de Deus. Segundo, os não filhos, pela bondade e misericórdia de Deus, também podem alcançar algum favor.
Após considerarmos estes dois pontos, pergunte para você mesmo: A fé que eu tenho, é fé para ter ou para ser?
Sim, preste atenção. A mulher fala a Jesus de uma necessidade, sua filha estava endemoninhada e ela nada podia fazer diante daquela situação. Jesus, em contrapartida, fala de posição. Ela quer a bênção e Jesus diz a ela que a bênção é para os filhos. Em outras palavras Ele estava dizendo “a bênção não é para quem quer mas para quem é”.
A dura conclusão disso tudo é que muitos podem viver uma vida inteira debaixo da mesa esperando que alguma coisa caia. Concordo que a expectativa de que alguma coisa caia pode ser traduzida por fé. Porém, ainda que seja fé, não posiciona ninguém como filho de Deus. Conheço muita gente que, a exemplo da mulher siro-fenícia, recebeu alguma bênção do Senhor, mas, mesmo provando de um favor divino, continua vivendo a mesma vida miserável de antes, sem provar de uma mudança verdadeira, sem receber a adoção, sem se tornar filho, sem saber o que é se assentar à mesa.
Ao dizer para a mulher que “não era bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”, Jesus se refere aos judeus como filhos e aos gentios como cachorrinhos. Evidentemente esta questão foi resolvida na cruz, caso contrário nós gentios não teríamos a menor chance de uma nova filiação.
João 1: 11- 13 nos diz:
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: os que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
João nos fala claramente que aquele que recebe a Jesus recebe o poder para ser feito filho de Deus. Essa declaração é tremenda, pois ela enfatiza a fé quando diz “a saber: os que creem no seu nome”. A grandiosidade desta declaração está no crer para ser e não no crer para obter. O texto diz: “deu-lhes o poder para serem feitos filhos de Deus”. O poder que o texto fala não é o poder para poder, mas o poder para ser. Não é o poder para conquistar algumas bênçãos, mas o poder que nos concede natureza divina. O poder que excede ao querer humano, pois João fala que “eles não nascem do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
Aqueles que são filhos de Deus recebem o direito de ter. Porém, aqueles que querem ter sem ser podem até, em situações esporádicas, receber, mas jamais terão lugar à mesa, a menos que passem a ser. Os que são tem posição em Cristo. Por serem, estão assentados à mesa. Os que não são, estão embaixo da mesa. Por isso posso dizer que a questão principal não é ter, mas ser.



Laerte Cardoso

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